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16 de março de 2013

Gabriel Moraes: simpatia em quatro rodas - Jonas Costa




A personificação da simpatia reside em Pouso Alegre e atende pelo nome de Gabriel Pereira de Moraes. Sua bela casa fica no bairro Portal do Ipiranga e é cercada de palmeiras cubanas que o próprio morador plantou. “Tenho a mão boa, primo!”, pavoneia-se cada vez que aponta uma árvore enraizada em sua propriedade. As mãos de Gabriel são mesmo poderosas. Com elas, o mecânico ganhou a vida restaurando centenas de veículos antigos. Quem conhece esse brazopolense de 79 anos logo se encanta por seus modos simples e afáveis. Não foi diferente quando ele relatou suas peripécias ao Empório Pouso Alegre.

 
Filho e neto de mecânicos, Gabriel cresceu ouvindo a sinfonia dos motores automotivos, regida por mãos untadas de graxa. Aos dois anos, engatinhava entre carros na oficina de seu pai. Aos 10, lavava peças e ferramentas. Cinco ou seis anos depois, já fazia consertos com extrema habilidade. Adquiriu seu primeiro veículo, um Ford, aos 18 anos e, desde então, se especializou em montar modelos do fabricante norte-americano.
Na década de 1960, Gabriel concretizou o sonho de restaurar o primeiro automóvel produzido pela Ford, em 1896. Com dianteira de madeira e volante em forma de manche, a raridade alçou Gabriel a garoto-propaganda de uma rede de postos de combustíveis. Nessa condição, ele viajou pelas principais cidades do Sudeste, nas quais distribuía camisetas, bonés e chaveiros promocionais. As trocas de óleo aconteciam em todos os postos da rede, o que atraía grande número de curiosos. Durante sua passagem por São Paulo, em 1966, Gabriel foi convidado por um repórter da extinta TV Paulista para participar de um programa ao vivo. O apresentador da atração era ninguém menos que Silvio Santos.


 Conhecer o “homem do baú” foi uma experiência inenarrável. Aquele dia não sai da memória prodigiosa de Gabriel, que venceu o concurso de carros antigos do programa televisivo (valendo um aparelho de rádio e um prêmio em dinheiro). A emissora custeou a hospedagem do entrevistado e, de quebra, presenteou-o com uma fotografia do encontro inesquecível com Silvio Santos.

Gabriel não imaginou que teria outra oportunidade de aparecer num veículo de comunicação de abrangência nacional. A sorte lhe sorriu novamente nos anos 1970, durante uma edição da Feira da Providência, no Rio de Janeiro. Incentivado pela amiga Lourdes, nora do ex-presidente da República Wenceslau Braz, levou um “Ford bigode” fabricado em 1920 para expor na barraca que representava Minas Gerais. O carro e a gentileza de Gabriel agradaram a então primeira-dama do país, Scylla Médici, que adquiriu o Ford por 70 mil cruzeiros (quantia suficiente para comprar 11 Fuscas na época). O fato chamou a atenção do jornal “O Globo” que estampou em sua primeira página: “Gabriel é o máximo”.

Para a publicação da matéria no jornal de Roberto Marinho, Gabriel foi entrevistado na residência do famoso colunista social Ibrahim Sued, no bairro Copacabana. Estava carimbado o passaporte que conduziria o afável mecânico para o mundo das celebridades. Sem esforço, Gabriel conheceria inúmeros artistas, políticos e empresários. Orlando Orfei, proprietário de circos e parques de diversão, o contratou para restaurar 11 automóveis antigos. Entre eles estava um Lancia 1921 comprado na Itália e que havia pertencido ao gângster Al Capone.


 A ex-modelo russa Elke Maravilha também faz parte das lendas que envolvem Gabriel. A inefável jurada de programas de calouros encomendou ao mecânico uma Brasília com carroceria de Bugatti 1928. A entrega aconteceu em 1989, na cidade de Araxá. Gabriel almoçou com a artista e guarda até hoje seu autógrafo, acompanhado por um beijo de batom vermelho. Durante aquele almoço, um fã bem vestido convidou Elke para dançar, ao que o namorado dela respondeu, batendo a mão nas costas de Gabriel: “Negativo! Só com o meu amigo aqui”.

Outro fato incrível envolveu o empresário Roberto Lee, que comprou de Gabriel um carro conversível, numa sexta-feira de 1975, e o recebeu para almoçar no domingo. No dia seguinte, o mecânico ficou surpreso com uma notícia trágica: o industriário havia sido assassinado em São Paulo.


 Gabriel vendeu automóveis raros para os maiores colecionadores do país, como Og Pozzoli e Eugênio de Camargo Leite, mas alguns carros que sua garagem abriga não estão à venda. Os melhores exemplos são um Ford 1929 (conhecido como “Cristaleira” ou “Guarda-louças” por ser o primeiro modelo da montadora a receber vidros) e um Dodge Dart 1972 que pertenceu a um senador dos EUA.

O discípulo mais simpático de Henry Ford costuma comprar quatro ou cinco carros da marca norte-americana para montar um veículo com características e peças originais, sempre com a assinatura metálica do restaurador. O material que sobra é acondicionado na oficina do experiente mecânico. Ele trabalha praticamente sozinho nas reformas, que duram de seis a oito meses – só não cuida do estofamento e da cromagem. Suas ferramentas ficam em um cofre comprado de uma agência bancária de Brazópolis.


 Além de devolver a vida para automóveis que não são mais fabricados, Gabriel transporta noivas aos finais de semana. No ramo desde 1951, já perdeu a conta de quantas donzelas conduziu no banco traseiro. Para tornar os enlaces ainda mais emocionantes, ele manda confeccionar placas semelhantes às de carro, contendo os nomes dos nubentes e a data do casório. Esse é o presente que entrega aos “pombinhos”.

Gabriel está prestes a entrar no rol dos octogenários, mas não para de trabalhar e de fazer planos. Pretende iniciar em breve a restauração de um Mercedes. Cobrir o pátio da oficina é outra ideia para os próximos meses. Nenhum obstáculo parece instransponível para o mecânico. Homem realizado, Gabriel alcançou o sucesso profissional com competência e, principalmente, cortesia. Conversar sobre carros antigos foi apenas um pretexto para conhecer uma figura humana extraordinária que, onde quer que vá, carrega sobre quatro rodas seu carisma irresistível.



5 comentários:

Anônimo disse...

Grande GABRIEL MORAIS, merecida homenagem, Brasópolis sente falta de Homens como você, abraços

Anônimo disse...

Parabéns!!!!pelo trabalho. com certeza Brasópolis sente falta desse Brasopolense , com muitos que estão longe de Brasópolis.

Anônimo disse...

Esse grande homem e pra quem nao o conhece direito

Anônimo disse...

Pois ele e baixinho,ou seja de estatura baixa

Antonio Claret disse...

Este realmente merece todas as homenagens em vida.
Brasópolis deve orgulhar deste cidadão.

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