6 ANOS LEVANDO AS NOTÍCIAS DA TERRINHA QUERIDA

AQUI, FÁTIMA NORONHA TRAZ NOTÍCIAS DE SUA PEQUENA BRAZÓPOLIS, CIDADE DO SUL DE MINAS GERAIS.

E-MAIL DE CONTATO: fatinoronha@gmail.com

26 de abril de 2010

BRAZÓPOLIS OU BRASÓPOLIS???

Temos sido muito questionados sobre a grafia do nome de nossa cidade. Como os leitores já devem ter notado, usamos sempre Brazópolis com “Z”. Pesquisando na internet encontramos um artigo do Sr. João Armando Braz de Faria, membro da ABLH (Academia Brazopolense de Letras e História):
“O distrito de Vargem Grande passou a Vila, desmembrando-se de Itajubá em 1901, com o nome de Vila de São Caetano da Vargem Grande. Em 1909 passou a se chamar VILA BRAZ, em homenagem ao grande batalhador pela emancipação de nossa terra, e sua figura mais ilustre da política local, o Coronel Francisco BRAZ Pereira Gomes. Em 1923, pela Lei Estadual nº 843, a vila passou a cidade, com o nome de BRAZÓPOLIS, com "Z". Entretanto, pouco depois de 1950, alguns órgãos federais e estaduais passaram a grafar o nome de Brazópolis com "s", sem que houvesse uma lei específica, para este fim, da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais, a quem compete a alteração do nome das cidades mineiras. Mesmo a Assembléia Mineira, para alterar o nome de uma cidade, necessita que no corpo da lei esteja claramente definido que: "o topônimo de Brazópolis passa para Brasópolis", o que não aconteceu até hoje. Sendo assim, o nome oficial de Brazópolis é com "z". A alegação de que o nome deveria atender à regra ortográfica, de caráter federal, onde a letra com som de "z" entre duas vogais deve ser grafada com "s", não é de aplicação automática em nome de cidade, visto que caberia à Assembléia Legislativa aplicar tal regra se assim achasse cabível. Em 04/08/1967, a Lei Municipal nº 131/67 procedeu a alteração do nome da cidade para Brasópolis, com "S", esquecendo-se de que o nome (hoje sobrenome) emprestado à cidade era, sempre foi e sempre será, BRAZ, com "Z". Assim, a Lei Municipal nº 371/97 de 25/09/1997, resgatando a tradição, restabeleceu o nome original de BRAZÓPOLIS, com "Z".
A Câmara Municipal de Brazópolis votou leis referentes a este assunto, mas como a competência é da Assembéia Legislativa, as mesmas só tiveram o caráter psicológico junto a seus munícipes, prevalecendo o nome oficial de BRAZÓPOLIS.”

Poesia - Fadinho - Por Guido Noronha

FADINHO
(Onde o poeta, encontrando um
barquinho de papel em sua
mesa, lembra sua amada)

Cantigas de portugueses
São como barcos no mar –
Vão de uma alma pra outra
Com riscos de naufragar.
(Fernando Pessoa – Quadras
Ao gosto popular)

Eu cheguei à Biblioteca,
E encontrei esse barquinho.
Pensei na minha esperança,
Minha criança, meu benzinho.

Você é linda sereia
Eu sou teu marujinho.
Tu Penélope, eu Ulyses,
E esse mar, nosso caminho...

Esse mar que nos separa
É o tempo, nosso espinho.
Tanto sol e sal e sede!
Tua boca é um longe vinho.

Vai, menina, vai, navega,
Foge então desse barquinho,
Se não queres meu amor,
Minha amizade, meu carinho...

Se não fores tão ingrata
E levares meu barquinho,
Tu me levarás também,
Que eu vou dentro escondidinho.

“Mas que é a tua amada?”
(Gritas, Circe, que me enleias)
-Pode bem ser qualquer uma,
pode ser todas sereias.

Guido Noronha Siqueira
Julho/2008

Ilustre Brazopolense - Professor Déo




“Alô Brazópolis! Alô Minas Gerais! Aqui fala, pela primeira vez, a ZYV 26, Rádio Difusora Brazópolis, operando em 110 KHZ.”
Assim o povo brazopolense ouviu, pela primeira vez no rádio, a voz possante de Deoclécio Campos Caridade.
Hoje, com seus cabelos brancos e corpo frágil, passos quase vacilantes... quem não o conhece não pode sequer imaginar a vida desse homem brilhante, de ação, lutador incansável, imaginação prodigiosa, empreendedor, de coração magnânimo que mudou os rumos da história de Brazópolis.
Foi por causa dele e de um grupo de amigos, contando apenas com trabalho, talento, apesar da escassa tecnologia da época, que Brazópolis e o sul de Minas Gerais puderam receber os primeiros sinais de televisão, o que na época só acontecia nas capitais.
Foi um dos personagens mais ativos da vida cultural de nosso povo. Sua trajetória confunde-se com a história de Brazópolis.
Apaixonado pelo teatro, pela cinegrafia e fotografia, possui grande acervo com nossa história.Instalou um “cineminha” na Ladeira Santos Lima, onde reproduzia filmes da cidade.
Produziu e dirigiu vários curtas-metragens, dentre elas “Jeca Tatu”, com atores da cidade e que fez muito sucesso na época.
Fez parte de uma troupe teatral que se apresentava no Cine Teatro Brazópolis, onde encenou, dentre outras, com sua esposa Iara e filhos a peça “Família Trapo”, uma paródia do filme americano “Família Trap”, que ficou inesquecível.
Na imprensa, colaborou por muito tempo com o jornal “Can-Can”, onde escrevia a coluna “Lambaris e Dourados em Forma de Notícias”.
E acham que este lutador fazia “apenas” isso? Não! Além de tudo, também lecionava Geografia. Foi um dos melhores professores que Brazópolis já teve.
Déo é um exemplo dos que lutam sem jamais esmorecer. Deu seu sangue pela coletividade. Soube servir ao seu tempo e sua gente.
Pela sua dedicação ao trabalho e amor a Brazópolis, queremos que saiba Professor, que jamais será esquecido pelo muito que lhe devemos.Nenhum gesto ou palavra terá a dimensão de seu valor para nós brazopolenses, que o aplaudimos em pé e dizemos apenas: Obrigado Professor! Deus lhe pague por tudo!

22 de abril de 2010

FOTO CARNAVAL - "QUE FEIURA!!!" rssrsr


AS PRIMAS ... NO CARNAVAL.

Foto de Rodrigo Noronha



Brazópolis é mesmo linda!!!

BOBEIRAS - rsrss

QUEM PODE RESPONDER?
1-Se toda regra tem exceção, e isso é uma regra, qual é a exceção?
2- Por que debaixo das poltronas dos aviões existem coletes salva- vidas, mas não ha pára-quedas?
3-Se os homens são todos iguais, por que as mulheres escolhem tanto?
4-Como é que a gente sabe que a carne de chester é de chester se nunca ninguém viu um chester?
5-Se cárcere e prisão são sinônimos, por que carcereiro e prisioneiro não são?

ILUSTRE BRAZOPOLENSE - D. Isa F. Guimarães


Uma mulher que, apesar da aparência delicada, de frágil não têm nada. Incansável defensora do que é justo e correto, possui um coração maior do que ela mesma, um espírito iluminado e uma essência muito especial. Apaixonada pela vida, por sua cidade, por seus amigos e por sua família, possui a capacidade louvável de abrir mão de si pelo bem de outra pessoa
Zelosa e verdadeira no seu jeito de tratar as pessoas, percebe-se em seu olhar e em suas atitudes o quanto é confiável e extremamente fiel aos seus princípios. Naturalmente consegue encantar a todos com a sua personalidade forte, única e sempre de uma sensatez admirável. Através das suas atitudes e exemplos, ajudou a melhorar a vida de muitas pessoas.
É um exemplo digno de admiração, uma verdadeira guerreira.
Professora brilhante, deixou em seus alunos gratas recordações pela sua afabilidade no trato, respeito e amor com que conduzia cada um deles mostrando-lhes o caminho certo.
seu incansável trabalho resgatando a história de nossa cidade, faz dela uma pessoa ainda mais especial e todos as gerações que nos sucederão poderão orgulhar-se de saber do seu passado.
Diante de tantos atributos, consigo entender porque todos nós a queremos tão bem, e no quanto Deus foi bom quando nos presenteou com a tua presença entre nós.
Feliz, abençoada e privilegiada é a pessoa que tem a chance de conhecer uma alma tão generosa, sensível e bela como a sua...
D.Isa Faria Guimarães, sentimo-nos orgulhosos em tê-la como nossa conterrânea!

GRUPÃO - “CEM ANOS DE HISTÓRIA” - Por D. Nilda de Oliveira Reis

“Ao festejar os cem anos do querido “Grupão”, volto-me às décadas de 40 e 50, quando, aluna e professora, pude compartilhar dessa história.
Recebi os primeiros ensinamentos da querida e saudosa, D. Rosalvina de Carvalho Stussi, que tão bem soube incutir os princípios fundamentais para se levar pela vida inteira, e da também saudosa diretora, D. Carlota Pedroso Mendonça, que com sua firmeza, ensinava-nos como agir frente aos obstáculos que, por ventura, encontrássemos.
Quando professora iniciei os meus trabalhos de educar, onde com os ensinamentos recebidos, pude transmiti-los aos queridos alunos que, a cada ano eram-me destinados, sob a orientação tão amiga da querida diretora D. Déa Carvalho Stussi. E os louros estão sendo colhidos. Que felicidade! Já descendo os degraus da minha vida, encontro-os e sempre recebo um abraço com a frase: “A senhora se lembra de mim?”.
Obrigada, meu Deus por hoje ainda poder, junto com a direção, na pessoa da querida Edna Fonseca Costa, professores, funcionários e alunos, compartilhar dessa grandiosa festa. Que N.S. Aparecida continue abençoando e iluminando-os em suas jornadas, junto às nossas crianças de hoje.”
Maria Nilda de Oliveira Reis, ex-aluna e ex-professora

GENTE FAMOSA - Por Vicente Mendes

“Quantos artistas famosos já passaram por nossa cidade? Bem, desde que me lembro, lá pelos meus 16 anos, foram muitos.
A Rádio AM ZYV 26, hoje Rádio Cidade, na época ficava na Rua José Pereira da Rosa, agora casa da família Peixoto, cujo prédio foi construído pelo Sr. Pedro Gomes Neto. Um belo dia, subiu as escadas da Rádio um casal muito simples, de aparência muito humilde. Eu estava na mesa de som e o Déo no estúdio falando. O casal entrou e se apresentou: “Somos Cascatinha e Nhana”. Seus discos já faziam muito sucesso na época. Índia era a música mais conhecida e tinha estourado pelo país inteiro. Eu nem os reconheci, tanta a simplicidade dos dois. O Déo os entrevistou e depois eles começaram a cantar... Que beleza! Aí sim, me veio à mente os artistas que eles eram.
À noite eles cantaram em palco onde hoje é a E. M.D. Maria Carneiro Braz. Foi uma apresentação que jamais esquecerei.
Outros artistas muito famosos na época, que também estiveram aqui por duas vezes foram Carlos Galhardo e Vicente Celestino.
Vicente Celestino se apresentou no prédio do antigo cinema. D. Miquelina era uma fã ardorosa dele e me pediu que o apresentasse a ela. E assim ela pode conversar um com seu ídolo. Meu irmão Paulo era outro fã que queria muito conhecê-lo. Então o levei para o bar, que hoje é dos filhos do Dito Vieira, onde o Paulo estava. Na época, sua música de sucesso era “O ÉBRIO”, e justamente por isso, todos achavam que ele gostava de beber. Assim que chegamos ao bar, lhe ofereceram um copinho de cachaça. Ele agradeceu, disfarçou, fingiu tomar e jogou a bebida fora e me confessou baixinho: “Eu não bebo”. Depois fomos ao Bar do Tronco e lá foi a mesma coisa: copinho de cachaça... fingiu beber...
Também estiveram aqui Cauby Peixoto, Ângela Maria, Trio Ternura e Beto Skala, com os quais também tive o privilégio de conversar.
Vieram também Gregório Barrios, Perla, Nelson Gonçalves, Francisco Petrônio, os Três Moraes, Altemar Dutra, Carlos Gonzaga e mais recentemente Sérgio Reis, Moacir Franco, Falcão, Almir Sater, Fred Rovela, Zé Ramalho, As Marcianas, João Mineiro e Mariano, Guilherme Arantes e mais a turma que participou do Rock in Brazópolis.
Como um amante da boa música brasileira, estes são bons momentos que guardarei para sempre em minha memória.”
Vicente Mendes

O CINEMA DE BRAZÓPOLIS - Por Aldrei Macedo

“O cinema foi a paixão da família Macêdo, em Pedralva, por 3 gerações: Sr. Nico Macêdo, Sr. Chico Macêdo e Sr. Quiquinho Macêdo.
Do pai, tio ao sobrinho seguiu-se a evolução do cinema: Mudo, preto e branco, cinemascope, thecnicollor, bem como a ascensão e queda de cinemas particulares de pequenas e grandes cidades. Embora e Empresa Macêdo tenha chegado a atender uma rede de 7 cinemas na região, atualmente restou apenas o prédio de Brazópolis, comprado do Sr. José Machado em 1958, sendo que em 1935 havia arrendado o mesmo por dois anos, época em que Quiquinho Macêdo completava seu primeiro ano de vida. Após 23 anos o Sr. Chico Macêdo o deixou para Quiquinho que trabalhou até 1969, quando voltou para Pedralva com a família, ficando o cinema arrendado até 1979.
Nesta época as grandes companhias começaram a investir em “shoppings centers” dos grandes centros, com salas modernas, acarpetadas, ar condicionado e rodízio de filmes. Quando, por fim, passados mais 2 anos fechado, veio a se instalar no prédio a “Móveis Brasil”.
Neste ano, em que se completa 50 anos que a Empresa Macêdo veio a se instalar aqui e 2 anos de falecimento do Sr. Quiquinho Macêdo, a família transformou a sala de exibição em uma Sala Shopping com as iniciais de seu nome em sua homenagem: SALA SHOPPING “FAM” – Francisco Assis de Macêdo- que reúne moda, beleza, entretenimento e turismo.”
Audrei Macêdo

100 ANOS DO HOSPITAL S.CAETANO

Hospital São Caetano ou Santa Casa de Misericórdia Também completou em setembro DE 2008, sem nenhuma festividade, seus 100 anos de fundação.
Em 1908 um grupo de cidadãos beneméritos de Brazópolis fundaram a “Irmandade da Santa Casa de Misericórdia” e adaptaram um prédio situado na Rua D. Ana Chaves, para servir de hospital provisório. O prédio logo tornou-se pequeno e foi construído um novo ao lado e em 1911 foi inaugurado o conjunto com todos os requisitos necessários para o bom funcionamento de uma Santa Casa. Com o correr dos anos esse conjunto tornou-se insuficiente.
Em 1.928 foi projetada a construção de um novo hospital. Iniciou-se uma campanha financeira, mas sobreveio a grande crise financeira do café e o projeto foi arquivado e em 1946 foi iniciada nova campanha. A Pedra Fundamental do novo prédio foi lançada em 8 de junho de 1947 em terreno que a Santa Casa possuía no alto da cidade. Em 8 de Junho 1948 foi concluída a construção de 3 pavilhões. Em 8 de junho de 1949 iniciou-se a construção de mais 2 pavilhões. Em 8 de junho de 1950 inauguraram-se as enfermarias e os doentes foram transportados da velha Santa Casa para o novo prédio do Hospital São Caetano. Em 8 de junho de 1951 as Irmãs da Providência assumiram a direção dos serviços hospitalares e a Capela foi consagrada.

BAÚ DO SEU DEDÉ


Sr. Dedé Cavichi sempre foi colecionador de curiosidades e amante da imprensa brazopolense. Ele partiu, mas deixou um grande legado: milhares de anotações curiosas. A cada número apresentaremos uma de suas curiosidades.
“O Brazopolense Wenceslau Braz, foi o primeiro presidente da República do Brasil a voar de avião. Foi em 02/04/1917. Saiu da Ilha das Enxadas, sobrevoou a Baia da Guanabara e foi para Niterói.”

A PRAÇA DA MATRIZ, O SERVIÇO DE ALTO-FALANTES E O CORETO

“Tenho muitas lembranças boas, mas uma de que até hoje sinto saudades é a antiga praça da Matriz. Nos finais de semana era o local de encontro de todos os jovens e das famílias.
As moças, todas de braços dados andavam ao redor da igreja, enquanto ouviam as músicas que vinham do alto-falante, instalado em cima do Bar do Tronco.Tinha música, notícias, propagandas, muita alegria e animação.
Naquela época não costumávamos freqüentar bares, como os jovens de hoje.
Lembro-me que no serviço de alto-falante as pessoas ofereciam músicas umas para as outras. O locutor era o Armindo Lobo e depois passou a ser o Samuel Miranda. Era muito divertido porque as pessoas, principalmente os rapazes, ofereciam músicas para as moças sem dizer o nome delas, mas descreviam a roupa que estavam usando. Então quando se ouvia: - Alguém oferece esta música para uma garota de saia azul e blusa amarela”, todos saíam procurando quem estava vestida assim.
Os rapazes que não tinham coragem de se declararem, ofereciam músicas para as suas pretendentes muitas vezes e assim muitos casais acabaram namorando e casando por causa disso.
Naquela época a praça era bem diferente de hoje. Lá tinha um Coreto muito bonito onde os músicos e as bandas se apresentavam. Era só aparecer alguém para tocar e o povo todo se reunia para ouvir.
Mais tarde o serviço de alto-falante acabou, o coreto foi derrubado, mas deixaram boas lembranças em muita gente.”
Lina Noronha Mendonça
Professora – falecida em 2007

VOCÊ SABIA QUE...

...O primeiro “Baile do Bixo” , em Brazópolis, foi realizado em maio de 1975, na madrugada do domingo de Páscoa?
O Baile, que se chamava “Baile dos Bichos” foi promovido pelos calouros dos cursos técnicos do então Colégio Pres. Wenceslau, ao som da Banda Namorados do Samba, cujos integrantes eram: Jorge Murad, Juscelino Siqueira, Juliano Rezende Dias, Dão Pelegrino, Deozinho Caridade, Valério Caridade e André Minchetti.


... No primeiro orçamento da primeira comarca municipal, em 1902, o salário do professor municipal correspondia a 20% do salário do então Agente Executivo (hoje prefeito) ?
Atualmente o salário do Professor municipal corresponde a 11, 81 % do salário do Prefeito.

DE ONDE VIERAM VOCÊS? - Seu Mário e D. Estela

Sr. Mário Macena da Silva ( Seu Mário do Cavaquinho) nasceu em Presidente Prudente, Estado de São Paulo. D. Estela da Silva nasceu em Rio Casca, Estado de Minas Gerais. Os dois foram criados em São Paulo, onde Seu Mário trabalhava como metalúrgico supervisor de ferramentas e D. Estela como Auxiliar de Contabilidade em loja. Lá se casaram e tiveram quatro filhos.
Seu Mário conta que conheceram Brazópolis por intermédio de José Raimundo, conhecido como José Tucano do Táxi.
“Viemos para Brazópolis, onde já residimos há 28 anos, para montar uma pequena metalúrgica”, explicam. Dizem que aqui foram muito bem recebidos.
Acham que a falta de emprego é algo ruim e a calma e as boas amizades são as melhores qualidades que a cidade tem.
Dentre outros, os personagens do passado que admiram estão Romualdo Dotta, Paulo Vichi e João Mário B. Mendonça. No presente o casal diz: “Admiramos muitas pessoas, em especial D. Rosinha Resende Noronha”.
Ao serem questionados sobre o que Brazópolis precisa para melhorar, dizem que é uma política melhor na arte e na cultura, principalmente no que diz respeito à parte musical. “Falta espaço para o músico instrumental”, diz Seu Mário.
“Nós viemos de uma cidade grande e escolhemos Brazópolis para morar e nos sentimos muito bem aqui, é essa a nossa mensagem aos brazopolenses”, completam.

ZEZÉ GONÇALVES “O POETA SOLITÁRIO”

Olhando Seu Zezé com seus cadernos de poesias nas mãos, escritas por ele com caligrafia invejável, contando a história de cada uma delas, com sua voz mansa e conversa simples, a gente imagina: “Que pena que este homem não pôde aprender mais nos bancos da escola”.
Suas poesias, escritas na forma simples de sua fala, contam histórias de sua vida, da cidade, de pessoas...
Sem completar ao menos a terceira série primária, começou a escrever seus versos aos 15 anos e nunca mais parou. Hoje a poesia virou sua companheira e o ajuda afastar a solidão.
TUDO QUE É VIVENTE ACABA (VERSOS SERTANEJOS)
I
José Gonçalves Sobrinho
Levantou um dia, cedinho
Em Brazópolis, sua cidade
Pensativo deixou sua morada
Afundou o pé na estrada
Carregando uma grande saudade.

Alguns quilômetros andei
O dia do mês eu não marquei
Faltou a minha curiosidade.
Eu fui rever a minha terra
Parei no pico daquela serra
Enxerguei lá em baixo o grotão
Lá eu avistei tudo diferente
Não existe aquele grupo de gente
Mudaram todo aquele povão.
Eu perguntei ao pensamento
Faltou resposta no momento
Fiquei queimando a imaginação.
O grande serrado virou capoeira
Acabou a lavoura cafeeira
Que enchia o grande terrerão.
Da fazenda sumiu todo camarada
Velho e moço rastador de enxada
Alavanca do patrão!
II
Eu fui caminhando serra abaixo
O meu pé-dois era o macho
Que tava me conduzindo.
Ao chegar em frente à fazenda
O meu dizer não é lenda
A lembrança do menino fui sentindo
Fiquei recordado o meu papai
Da lembrança ele não sai
Porque com Deus ele foi seguindo
A mamãe mocinha viúva ficou
Nunca mais ela se casou
Com Deus viveu a vida sozinho
A mamãe foi uma heroína
Criou cindo homens e uma menina
E o mais velho irmãozinho
Na Fazenda Paiol Velho fui retireiro
Também fui tropeiro
Engolindo poeira do caminho
Eu sou neto dessa pessoa
Tenho sangue de gente boa
Sua jornada conheci um pouquinho
Agradeço tudo que me ensinô
O meu idolatrado avô
Antonio Gonçalves Torres Sobrinho.
III
Meu avô grande agricultor
Na pecuária deu grande valor
Com vacada de leite jóia fina
A sua colônia vivia cheia
A noite, todo casal vivia pareia
Pra ir rezar na cruz da Nhina.
Aquela gente enfeitava a Santa Cruz
Toda vela acessa era uma luz
Todo ano era essa rotina.
Tinha reza junina, soltava rojão
Santo Antonio, São Pedro e São João
O povo se divertia

A Fazenda Paiol velho na Floresta
Foi um recanto de festa
Ali ninguém entristecia.
Ao dia era só pra trabalhar
A noite em qualquer lugar
Escutava aquele dueto de cantoria
Nas casas do Amaro e Dito Braiz
Agora elas não existem mais
Para lá em grupo eu seguia
Os dois velhos, em dupla satisfeitos
Com as violas em seus peitos
Duetava aquela melodia.
IV
Ao rever aonde fui nascido
Balançou o meu sentido
Veio aquela tristeza me aproximar.
Lembrei coisa boa que foi
Não avistei rastro de carro de boi
Lembrei o avô esbravejar
Quando estava pra chover
Algum café seco pra colher
Era hora do berrante trabalhar
Soprando na boca a colônia chamava
Com ele ninguém brincava
Não acontecia discussão
Meu avô era homem positivo
Alguma hora era explosivo
A sua peteca não caia no chão.
Agora a sua grande fazenda já era
A colônia toda virou tapera
Transformou numa solidão
Na mente fiquei pensando
No peito meu pobre coração pulando
Por ter visto a transformação.
Dali continuei o meu caminho
Para eu ver de pertinho
Aquela antiga Fazenda do Matão!
V
Ao chegar naquela fazenda
Igual bagaço de uma moenda
Ali eu fiz a minha interpretação.
Acabou o campo com o time de futebol
Ali com chuva ou com sol

No campo tinha diversão.
Dali mudou todo camarada
Ali conquistei minha amada
Meu sogro deu a sua permissão.
Ali moramos princípio de vida
Ali conheci Maria Aparecida
Minha flor humana preferível
Eu infelizmente perdi a mulher
Deus é bom e sabe o que quer
A Maria voltar não é possível.
Meu sogro e sogra ali viveu
Também ele e ela já faleceu
Deixou uma lacuna terrível
Ninguém fica para semente
Somos igual água corrente
Seu destino é além e mar visível
Nessa terra tamos de passagem
Pensar na morte é bobagem
Para o infinito tudo é cabível.
VI
Com tudo que eu vi, analisei,
A estrada de volta eu peguei
Vim conduzindo meu pensamento
Minha cachola veio cheia
O sangue fervendo na veia
A morte leva tudo ao firmamento.
Eu fiquei viúvo na saudade
Deus levou Maria para a eternidade
Desfazendo meu casamento.
O Pai Onipotente nos dá vida
Seja curta ou bastante comprida
Não escolhendo sua criatura
Em fila entramos na bica.
Bens materiais aqui tudo fica
Não adianta sabedoria e cultura
Somente vai o corpo no caixão
Ninguém voltou, se é ruim ou bão
Essa mudança de figura
Ainda não prevaleceu um apelo
Evitando a soneca no gelo
Não existe remédio a esse cura
Por que? “Tudo que é vivente acaba”
Quando a estrutura desaba
Morta na fria sepultura.

“ZÉ DO TRONCO”

“Sete de setembro de 1973.
Aquele dia foi diferente e triste.
Depois do susto, recusei-me a entrar na casa de meu avô, pois não queria encarar uma verdade muito dura para minha adolescência.
Não tive coragem de entrar naquela sala.
Preferi guardar no meu íntimo lembranças de nós dois viajando juntos e eu reclamando da música alta e da maneira dele dirigir, ou indo para a cascata naquela caminhonete amarela e ele buzinando sem parar para todos aqueles que apareciam à sua frente.
Isto fazia parte do seu perfil: Ser alegre e contagiante, mantinha sua casa sempre cheia de amigos e admiradores.
Ter sempre a visão no futuro, fez a diferença no sucesso de seus empreendimentos.
Como seu neto mais velho me sinto feliz em homenageá-lo e agradecê-lo em nome de uma geração que muito cedo foi privada de sua convivência.
Agradeço em especial pelo legado de princípios e honradez que somente os grandes homens conseguem eternizar.
Treze de agosto de 2008. Centenário de nascimento.
Este dia é diferente e alegre
Tenho certeza que ele está lá no céu muito orgulhoso e feliz.
Obrigado, José Cintra Siqueira.
Obrigado, Zé do Tronco
Obrigado, Vô!”
José Atílio

NOSSOS POETAS - João Mário Braga Mendonça

João Mário Braga Mendonça
Poeta, seresteiro, ator, compositor de várias marchinhas carnavalescas, foi também redator do “Brazópolis” e do “Can-Can”, onde mantinha uma coluna de versos com pseudônimo “Menestrel”. Participou da peça “Aurora da Minha Vida”, primeira grande produção do TAB (Teatro Amador Brazopolense).Escreveu crônicas e poemas de grande sensibilidade. Homem culto, ligava-se estreitamente a movimentos culturais, também na música e no teatro e muito mais...
João Mário faleceu em 1.990, aos 60 anos de idade.

QUE PRAÇA!?...

Essa praça tem coqueiros
Tem placas pros pioneiros
E flores que cheiram bem...
Tem gente alegre que passa
Tem tanta coisa na praça!...
Só coreto ela não tem.

Tem bancos pra se sentar
E Bancos pra se aplicar
Onde se poupa o vintém...
Tem sorvete, tem mobílias
Tem passeio pras famílias...
Só coreto ela não tem.
Essa praça tem brinquedos

Tem confissões, tem segredos...
Muitas lembranças também...
Tem casamentos, noivados
Tem missas tem batizados
Só coreto ela não tem.

Essa praça tem brinquedos
Tem confissões, tem segredos...
Muitas lembranças também...
Tem casamentos, noivados
Tem missas tem batizados
Só coreto ela não tem.

Essa praça tem pipoca,
Tem churrasco, tem “fofoca”
Que não perdoa ninguém...
Tem herma do velho Braz
Cuja Avenida é lá atrás...
Só coreto ela não tem.

Tem comida, mesas fartas
Tem gente que perde nas “cartas”
Tem presépio de Belém...
Tem voltas de bicicletas
Tem corridas de atletas
Só coreto ela não tem.

Essa praça tem cantares
Têm preces, santos altares...
Amigos que vão e vêm...
Nessa praça que tem tudo
Fica o seresteiro mudo
Só CORETO ela não tem...
J.Mário - 1987

Um fato curioso

Fato curioso aconteceu: É sabido de todos da grande devoção que este Santo Padre tinha por N.S. do Carmo, protetora da Boa Morte, que é venerada no dia 16 de julho, justamente no dia de seu falecimento: Quando a ambulância que o conduzia morto, regressava de Pouso Alegre, algo aconteceu que deu muito o que pensar àqueles que o acompanhavam. Em dado momento a ambulância parou de súbito. E por incrível que pareça, justamente em frente a uma Capelinha , no Bairro do “Capote”, erguida em homenagem a N.S. do Carmo. Era a homenagem que ele prestava, sem dúvida, à Santa que tanto amava, no seu dia e no dia de sua morte...Coisas da vida ou coisas de Deus!?

VOCÊ SABIA QUE...

...Nas décadas de 30 e 40, em Brazópolis havia a “Associação Desportiva Cel. Henrique Braz” que formava o único Grêmio esportivo da comunidade?
Fundada em 1930, foi sempre dirigida pelo Sr. Pedro Gomes Neto, que também conduziu a construção do Estádio Dr. Ataliba de Moraes, que na época era uma verdadeira Praça de Esportes, com quadras de voleibol, piscina e campo de futebol.
A associação vencia a maioria dos clubes regionais e até grandes clubes profissionais como Botafogo, América e São Cristóvão, do Rio de Janeiro. Contava com grandes craques que se destacaram em outros clubes profissionais, como: Humberto vindo do Botafogo do Rio, Manoel Preto e Chico Preto, que posteriormente atuaram no Atlético e no América em Belo Horizonte, Zezé Procópio que posteriormente atuou no Botafogo do Rio e integrou a Seleção Brasileira, na Copa de 1938.