6 ANOS LEVANDO AS NOTÍCIAS DA TERRINHA QUERIDA

AQUI, FÁTIMA NORONHA TRAZ NOTÍCIAS DE SUA PEQUENA BRAZÓPOLIS, CIDADE DO SUL DE MINAS GERAIS.

E-MAIL DE CONTATO: fatinoronha@gmail.com

7 de agosto de 2010

6 de agosto de 2010

Coleta e Mileta – Renato Lôbo

As coisas não são como são, mas como são lembradas.

E se me lembro delas, eram duas. Uma se chamava Coleta e a outra, Mileta. Já não lembro se eram irmãs ou filha e mãe. Se escolho a última alternativa é porque a primeira era cha-mada de Dona Coleta e a outra era só Mileta. Aliás, Miletinha.

Quis o destino que Miletinha se casasse com Esmeraldo, o irmão mais novo de tio Amarildo. Tio Amarildo era “tio Amarildo”. Já Esmeraldo era só Esmeraldo. Não carregava nem o status nem as insignias de tio. Mas também, pudera! Vagabundo, que só vendo: não valia o feijão que comia! Mesmo assim, foi lá, casou-se, e reclamou quando teve de levar Dona Coleta junto. Que, viúva, só andava em preto de bolinha branca. E acho que isso também me fez crendo que eram mãe e filha.

Sendo assim, Miletinha casou-se.

Durante a cerimônia, veio padre de fora, Cônego Baboso, grande, gordo, de óculos de fundo de garrafa, capa de asperge, pluvial, dedo amarelo de cigarro e grande eloqüência. Dado o início da cerimônia, perguntou, solene:
- É de livre e espontânea vontade que vocês contraem matrimônio?
Houve um ah!, acompanhado de risinhos.
- Havendo alguém que saiba de algo que torne esse casamento nulo ou ilícito, que fale agora ou cale-se para sempre, sob pena de pecado mortal.
Outro ah! e mais risinhos. Era só o que faltava: alguém terminar o casório ali e estragar a fes-ta!

- Você, Esmeraldo, aceita Mileta por sua mulher..?
- E você, Mileta, aceita Esmeraldo por seu marido..? Até que a morte os separe?
Silêncio total. Quase um susto. (E a festa?)
- Então, diante da Santa Madre Igreja, eu os declaro marido e mulher.
E estavam casados. Respiro geral de tranquilidade.

E é o que eu sempre falo: estão vendo como é fácil casar? E ainda tem gente que diz que não consegue! Matrimônio é uma coisa que se contrai. Igual... igual a qualquer coisa que se contraia. A gente vai lá e pega. Digo, a gente vai lá e contrai, diante do padre, com pompa e sem circunstância. A circunstância vem depois.

Mas antes, veste roupa nova, corta cabelo, enfeita a igreja, se enfeita inteiro, manda convite, faz festa, corta o bolo com noivinho em cima, diz o “sim” na hora do “sim”, chora na hora da Ave Maria, troca aliança, toca corneta pra noiva entrar, toma banho, passa perfume, fecha porta, abre porta, abre porta, fecha porta, sai de viagem em lua-de-mel, a noiva chora, joga o buquê, as moças correm para pegar, todo mundo olha pra trás para ver a noiva entrar e, quando ela entra, parece que o tempo pára, e as daminhas petaleiras fazem todo mundo a-char que nunca havia visto coisa igual, e todo mundo faz de conta que nunca viu aquilo an-tes... É tudo assim. Não necessariamente nessa ordem. Mas tudo assim. A ordem dos fatores não desqualifica o produto. E é como sempre falo: casar é fácil. E ainda tem gente que diz que não consegue!

Esmeraldo estava feliz. E tio Amarildo, irmão e padrinho sempre sério, com tia Ordália, a tira-colo. Essa, sim, risonha e cumprimentadeira, em vestido longo ton-sur-ton verde a verde, ia logo atrás dos noivos, saudando quem passasse, mais noiva que a própria noiva. Minha mãe nem dessa vez deixou de observar que tia Ordália era tão vistosa que nem parecia mulher casada!

A festa foi boa. Os noivos viajaram a Poços. Todo mundo ficou feliz.

Só papai, mais tarde, virou-se para minha mãe e profetizou:
- Num dou dois anos.
Minha mãe, sempre muito brava, voltou-se e falou:
-Você já falou isso de tanta gente!
E ele:
-É. Eu sei... E não andei errando muito.

E não foi dessa vez que errou. Depois de dez anos de namoro, cinco de noivado e mais cinco de espera para casa ficar pronta – não durou um ano – Miletinha não agüentou a pasmaceira do Esmeraldo e mandou ele passear. E ele foi.

Tem coisas que a gente precisa pensar antes de fazer, parar antes de pensar e, se possível, nem pensar. Aquela ali era uma delas. Lembro-me, como se fosse hoje, da frase de Monse-nhor, que toda paróquia tinha dois problemas: matrimônio e patrimônio? Pois é. Miletinha e Esmeraldo tinham os dois.

E, olha, que nem paróquia eram!

FOTO SAUDADE: Galera animada - 1986

Foto do arquivo de Júnior Vizotto

Na foto: Celso Torres, Nambu , Junior Vizotto, Emílio, Nelson (Balão), Gil Arantes, Géio, Shaw, Helinho, Turcão, Douglas, Moisés e João Pedro.

FOTO: QUEM SÃO ESSAS CRIANÇAS?

FOTO SAUDADE: CAUBY PEIXOTO EM BRAZÓPOLIS

zÉ VICENTE E PAULO MENDES COM CAUBY

BOBEIRINHAS...rssrs

*O pior não é morrer, é não poder espantar as moscas
*Dizem que exercícios físicos aumentam a expectativa de vida. Coelho corre, pula e vive 10 anos, tartaruga não faz porra nenhuma e vive 150.
*Se Mano Menezes errar no comando da Seleção, ele será perdoado, pois já diz o ditado: Errar é o mano!
*Quantos guarda-chuvas você já perdeu? Quantos você já achou? Para onde será que eles vão?
*Existe apenas uma coisa que é perfeita, o pretérito, aliás o pretérito é mais que perfeito.
Minha memória é tão fantástica, que até hoje, lembro-me nitidamente de tudo aquilo que não esqueci...

FOTO SAUDADE: TURMA DO CORAL FAZENDO FESTA

PRIMEIRO CENTENÁRIO DA PARÓQUIA - HINO A SÃO CAETANO

Nestes dias comemorativos do centenário da Paróquia de São Caetano de Brazópolis, temos tido a oportunidade de ouvir, com prazer imenso de filhos deste rincão, pelos altoS-falantes da nossa Igreja Matriz, notáveis pregações que nos enchem a alma de emoção e alegria.
Quantas vezes atarefados pelo nosso trabalho, que esperamos venha gravar em nossa história esses memoráveis acontecimentos, a passarmos pelas ruas vemos as janelas repletas de pessoas, com os ouvidos atentos para ouvir as pregações sábias e cheias de ensinamentos do missionário Rafael Dias. Ao meio dia, pelos autos-falantes de nossa Brazópolis, vários oradores sacros e leigos, tem nos trazido a história de nossa Brazópolis, cheia de notáveis acontecimentos e realizações. Se as palavras dessas cultos pregadores e desses entusiastas oradores nos tem trazido preciosos ensinamentos para aumentar o nosso pequeno acervo de conhecimento, as músicas cantadas nos tem levado a sonhar, embevecidos com a grandeza de tão marcante acontecimento, com a alma poética dos que já se foram, mas deixaram essas belezas da inteligência para cantar sua terra e glorificar seu padroeiro. Referimo-nos ao hino de São Caetano, escrito pelo saudoso Mário silva e musicado pelo Revmo. Cônego Aristeu Lopes.
Falando em música, não podemos deixar de homenagear aos cantores e músicos de nossa Igreja, que têm se desincumbido, maravilhosamente, de suas funções para maior brilhantismo de nossas festas centenárias . É com prazer imenso que saudamos a todos eles e aos oradores, nesta data grandiosa de nossa história do povo católico e de brazopolenses.

JORNAL “BRAZÓPOLIS”, 21 DE NOVEMBRO DE 1948

5 de agosto de 2010

EU VORTEI, AGORA PÁ FICÁ,PORQUE AQUI, AQUI É O MEU LUGÁ!!! - Maria do Vá

Andei sumida que eu tava estudano no Mobrar. Prendi um monte de coisa e to iscrevendo mió.
Andei mais sumida que prefeito!
Mais agora eu vortei cá corda intera. Cá lingua fiada que só veno...
Eu ando leno o brog da D. Fátia tudu dia. Num contei proceis, mais eu comprei um notibuqui e prendi a mexe na ternet. Eu tô qui num me guento de tão orguiosa de eu mema.
O brog tá bão! Tem noticia boa, retrato de gente véia, retrato de gente nova, reclame pa mode nóis compra as coisa... Os povo tão gostano, mais tão recramano que eu sumi. Mai agora eu vortei. Vô iscreve sempre.
Tô achano que iscrevê fofoca tamém é bão. O povão gosta!!! Êta povo fofoquero!
Vô contá uma: Dia desses um tar Sargento lá di Sum Paulo foi cobrá uns aluguer, conta de água e di luiz que o quilino dele dexo de pagá. O furdúncio foi lá na Rua Ten. Francisco Dias. Naquela confusão de fala, retruca, xinga, palavrão de cá, otro de lá... num é qui os dois marmanjo (já passado dos 40 ano) se pegaro nos murro? Óia, chamaro as policia que carmo eis, levaro pro hospitar pra mode faze us curativo e o tar corpudilitru (num sei o que é isso, mais deve sê inxame prá vê quanto litru di pinga eis tem nu corpu) e adispois tudo pra delegacia. Num vô contá quem é por mode que sô moça discreta. Mais qui foi um ranca rabo dus bão, lá isso foi...
Inté turdia que eu vorto contano mais fofoca!

FOTO SAUDADE: RAINHA DOS ESTUDANTES

Maria Ivone sendo coroada pelas professoras Judith Minchetti e Maria Moraes.

VI FECIC - TEMA: ÁFRICA.








O Colégio Imaculada Conceição, realizou no dia 31 de julho a VI FECIC – Feira do Conhecimento com o objetivo de ampliar os conhecimentos dos alunos e divulgar aos visitantes a vasta riqueza cultural do Continente africano.
Na abertura do evento tivemos a participação dos alunos do 3º, 4º ano e 4ª série do ensino fundamental cantando a linda música africana Bonzo Maracatu acompanhados pelo maestro e prof. de música Rodrigo Fabiano Mendes Nogueira. O aluno Jorge Henrique Serpa Torres com muito estilo declamou a poesia “Mãe África” de Everaldo Cerqueira, em seguida tivemos uma belíssima apresentação artística pelos alunos da 5ª série do ensino fundamental com dança e dramatização.
Após abertura todos os convidados foram apreciar a exposição dos trabalho que foi um sucesso. Os alunos demonstraram grande interesse e participaram ativamente das atividades. Verificamos que houve grande aprendizagem e ampliação dos conhecimentos. Todos ficaram encantados com o envolvimento e participação dos alunos.
Parabenizamos alunos, professores, funcionários, pais e agradecemos a todos que se dedicaram para o sucesso de FECIC – 2010.

Márcia Pereira Gomes
Diretora Pedagógica.

TARDES DE DOMINGO - Glorinha Faria


Caminho completamente só pela rua deserta. Domingo quente de verão, tarde escura com prenúncio de tempestade... Nuvens espessas e negras, seguidas de raios, riscam os céus de Brazópolis.
As pessoas se recolheram em suas casas, somente algumas permanecem nos bares da cidade...
Brazópolis, às vezes me causa tédio, principalmente nos dias de domingo, quando a solidão é maior. Às vezes me sinto cansada. Quanto mais sensíveis e frágeis, mais vulneráveis somos.
Tenho medo de me calejar, de me acomodar, dopada pelas poeiras dos caminhos, pelos nevoeiros do oceano.
Às vezes receio sofrer a influência derrotista dos que desanimaram, dos que lançaram âncora definitiva em algum porto, retidos pelas malhas da saudade.
Quando tiver vencido o combate, não desejo grandes despedidas...
E como diz o poeta: "Sorrindo, quero dizer apenas aos que ficam: Coragem, alegria, a vida é linda! E lá do outro lado a Paz é infinda!"

FOTO ENGRAÇADA...rsrs

Nosso vice-prefeito Amauri Noronha no toco. Agenor, foi dar uma forcinha e consolar o irmão.
Será que está de castigo?

CONVITE DA LAFS

FOTO SAUDADE: PREPARADOS PARA A FOLIA

Foto do arquivo de Maria Theresa Faria

CARIDADE - Antonio Noronha


És um gesto que é bom, também feito de luz,
Um sorriso, um olhar, a carícia do pranto.
Transfiguras a argila. És um gesto de santo
De quem, a tropeçar, o ceguinho conduz.

És benção, Caridade, esmola que reluz.
Um São Martinho dando a metade do manto
Ao pobre esfarrapado. És prece, incenso, canto.
A dor de Madalena e o perdão de Jesus.

És o lenço agitado a alguém que vai partindo...
Deus _ pela Criação _ todo glória sorrindo:
A agonia da tarde, os albores da aurora.

No quadro do Calvário, onde há Cristo e Maria,
És o sangue do Filho, esse sangue que expia,
És o pranto da Mãe, que, meiga olhando-o chora...

FOTO SAUDADE: FESTA NO LADMA

Fotos do arquivo de Nilda Oliveira Reis


4 de agosto de 2010

FOTO: DESFILE ALUNAS 1968

FOTO: QUEM É ESTE GAROTO?

Histórico da Câmara Municipal de Brazópolis

Consta, nos anais da Câmara Municipal de Brazópolis, a criação da Vila de São Caetano da Vargem Grande, pertencente à Comarca de Itajubá, pela Lei Mineira nº 319 de 16 de setembro de 1901. Antes que se instalasse, solenemente, em definitivo a Câmara Municipal aos 02 (dois) dias do mês de janeiro de mil novecentos e dois, houve duas sessões preparatórias, na sala da Prefeitura destinada as sessões, a primeira aos vinte oito de dezembro de 1901 e a segunda aos 30 de dezembro de 1901.
Na primeira sessão preparatória foram apresentados os vereadores eleitos nas eleições procedidas no dia 02 de dezembro de 1901, os Srs. Cel. Francisco Braz Pereira Gomes, Joaquim José de Faria e Souza, José Serôdio, Joaquim Carlos da Silveira, Antônio Pereira de Mendonça, José Martins Tosta Junior, João Gonçalves Cintra, Joaquim Carlos da Silveira, Alfredo Vianna e Cândido Rennó. O Primeiro Presidente da Câmara e Agente do Executivo eleito (vez que não havia ainda a separação de poderes (Legislativo, Executivo, e Judiciário), como hoje, em que os poderes são distintos, independentes e harmônicos) foi o Cel. Francisco Braz Pereira Gomes, na segunda reunião preparatória da Câmara, por ele presidida interinamente. O Vice-Presidente e o Secretário foram eleitos na sessão de instalação da Câmara: Secretário José Serôdio e Vice-Presidente o Vereador Antonio Pereira de Mendonça. "Em seguida levantou-se o Presidente o qual proferiu uma breve alocução e ao terminar esta, invocando o precedente da promulgação do código fundamental de Minas Gerais, declarou alta vós, Em nome de Deus Todo Poderoso, instalado o Município de São Caetano da Vargem Grande". Em seguida o Vereador Antonio Pereira de Mendonça, Secretário, apresentou indicação, para congratulando com governo deste Estado, pela elevação da Vila a Município, pedindo que a moção fosse também assinada pelo povo, aprovada por unanimidade, sendo a ata assinada pelos vereadores e por todos os presentes.
Nos anais da Câmara existem projetos de lei para a instalação da Câmara, inclusive junto a Cadeia Pública, na primeira década de 1900, entretanto, as Sessões, durante muitos anos se realizaram em sala própria no atual prédio da Prefeitura Municipal. Em data de 29/01/1983 foi inaugurado o atual prédio da Câmara Municipal, na administração do Prefeito José Fernandes dos Reis.


Acesse o site da Câmara e saiba o que nossos vereadores estão fazendo por nós:
http://www.camarabrazopolis.mg.gov.br

FOTO SAUDADE - FESTA NA CASA DO BELARMINO E JUDITH

Foto do Arquivo de Mariana Serôdio

3 de agosto de 2010

PARABÉNS PADRE LÉO!


"Com que carinho e sublimidade,
Dedicaste a Deus teu coração;
Sempre espalhando a fé e a bondade,
Fazendo de tua vida uma oração."


Com este pequeno e ao mesmo tempo tão verdadeiro verso, do poeta Zezé Noronha, queremos deixar nossa homenagem ao Padre Leonino Moraes, o nosso querido pai espiritual Padre Leo, pelo dia do Padre que se comemora no dia 04 de agosto.
Parabéns! Que Deus o abençoe hoje e sempre.

FOTO: GENTE BOA...ALGUNS JÁ SE FORAM...

SEMENTE - Renato Lôbo


Você nasceu semente. Pense na semente.
A semente quando nasceu era só semente. Tudo que você conhece dela é o que vem depois dela. Nunca o que vem antes. Ninguém sabe quando a semente pode tratar-se a si mesma como semente. Há um longo processo para ela se constituir semente. E disso quase nada sabemos. No máximo, permitimos que a semente seja o que a ela sempre coube ser: apenas semente. Ser semente, para ela, é ser quase tudo.

Pensou na semente? Agora, olhe a semente.
Uma vez virado broto, vai pensar em virar árvore. Mas ainda continua semente. É que ser semente é ser só. Pode estar cercada de milhares de outras sementes, exposta a passar por todas as mãos e todas as mãos sobre ela, sacudida, abanada, soprada, pesada, calculada... Mesmo assim, sempre só. Sina de semente é ser só. Perdida no meio das outras, escondida no meio das outras. Pouco importa. Ser semente é ser sempre só.

Olhou a semente? Então, ouça a semente.
O que lhe diz a solidão da semente? Nada. Não diz nada. Semente não fala. Ela não só é sozinha. Mais do que sozinha, na maioria do tempo, ela também é muda. Porque faz parte da semente ter tudo a dizer, e nada conseguir falar. Ser semente é ser somente semente, sempre silente e só.

Ouviu a semente? Agora, toque a semente.
Sinta o toque dela no seu e deixe que ela fale. Agora, sim, ela fala. Semente não fala pela boca que não tem. Fala pelo toque que promete. O toque da semente no seu decodifica algo seu a seus próprios olhos, explica você a você mesmo, desempena quem você é. Porque você também é semente. Esqueceu? Você também é só. Lembrou? Você também não con-segue dizer tudo o que é. Nem para si mesmo nem para ninguém.

Tocou a semente? Prove a semente.
Quanto gosto há nela? Todos os sabores se encontram ali. Mas você não sente nada. Nada mesmo. Sabe por quê? Porque não está pronto para sentir. A vida toda você só conseguiu reconhecer o gosto daquilo que já lhe tivessem mandado sentir. Nunca provou por si só. Nunca sentiu por si mesmo. O gosto da semente (que gosto tem?), você só vai estar pronto para sentir quando romper sua própria casca. Chega a hora de permitir nascer o broto novo, que nem você sabia que estava ali.

Provou a semente, não é? Agora, plante a semente.
Mas não plante na pedra. Não a enterre no chão seco. Nem a guarde no mais belo cristal com tampa de ouro. Não jogue a semente fora como se faz do milho aos pombos. Isso é a morte da semente. Se possível, encontre um lugar no canto da horta ou do jardim. Serve até beira da estrada. Cave. Adube. Regue. Cuide... Espere. Nada supera a espera.

Ah, não force a casca da semente. Ela só se abre por si. Não revolva a terra em busca de resultados. Semente só nasce por si. Não adiante o relógio. Semente tem seu tempo próprio. Destino de semente é... Nem sei o que é. Semente não nasce semente. Semente não morre semente. Semente não nasce nem morre. Ela se deixa nascer. Ela se deixa morrer. Sina de semente é... esperar... o momento de deixar de ser semente.

Somente mãos maduras sabem lidar com a semente. Pensar, olhar, ouvir, tocar, provar... Esperar a semente esperar. Semente passa, de um momento a outro, por mãos sem pressa, que cuidem do tempo dela.

Um dia, não haverá sequer sinal da semente. O sinal da semente será a árvore. Sem que nenhuma delas saiba coisa alguma da semente. Sem que nenhuma delas traga escrito o que um dia foi. Semente não precisa saber da árvore. Árvore não precisa saber da semente.

E o semeador?
A ele a espera, o vazio das noites, o clamor do dia, a perda a colheita. Tudo isso faz parte do ofício desbotado do semeador e da vida silenciosa da semente. Silenciosa, indestrutível e forte. Forte porque indestrutível. Indestrutível porque silenciosa. Resistente, ela sabe que tempestades e neves destroem folhas e flores. Mas não podem coisa alguma contra a se-mente.

Você nasceu semente num terreno abençoado chamado Braszópolis. Com S e com Z pra não ficar dúvida do quê e de quem ando falando.

Floresça!

ALMOÇO MUSICAL NA SEDE DA BANDA

Domingo, 1º de agosto, a Corporação Musical Santa Cecília promoveu um “Almoço Musical” em sua sede. Uma deliciosa feijoada foi servida ao som das músicas da “Santa Cecília” que nos presenteou com vários números de Fox e Boleros. Depois foi a vez de uma jovem dupla que desponta no meio musical: Tiago Henrique (vocal) e Lucas (viola, violão e vocal).
Acompanhados por sua banda composta por Edson Manfredine (Bateria), Bruno (baixo) e Claudio (violão base) e um selecionado repertório sertanejo, a dupla agradou a platéia que se deliciou com as vozes dos meninos.
Thiago Henrique de 10 anos e Lucas de 12 anos, formaram a dupla há 2 anos e são filhos de Leila e Cláudio Benedito Dias (Cláudio Paíco) do Bairro de Bom Sucesso.
E para abrilhantar ainda mais o evento, pudemos nos encantar com a pequena Valentina, neta de João Vianey Noronha Dias, presidente da Banda que, “brigando” contra o sono, dançou ao som das músicas.
Foi uma tarde bem agradável!






























FOTO: Brazópolis antiga

VELHAS LEMBRANÇAS - D. TITI NORONHA

"Velhas Lembranças" foi escrita por D. Benedita Noronha Lopes, a saudosa mestra Titi Noronha, quando já passava dos 90 anos de idade. Uma pessoa especial que nos surpreendia pela lucidez, inteligência e bondade.
Seriam tanta pureza e sabedoria frutos dos cem anos vividos, ou "D. Titi" foi sempre essa mulher maravilhosa que nos ensinou tanto a respeito da vida?
Quem a conheceu sabe que o passar dos anos aumentou ainda mais a sua capacidade de amar, de se doar e ser tão especial !




Era com verdadeiro prazer e interesse que eu ficava a escutar quando mamãe falava sobre o seu passado na fazenda, junto aos seus pais.
Era com muita emoção que se referia , não só às pessoas queridas, como aos escravos que viviam na fazenda do Campinho, onde eram tratados com amizade.
Quantas vezes curava os filhos dos escravos aplicando remédios em feridas. Era com lágrimas que fazia o serviço, principalmente quando o seu "paciente” sentia dores. Conheci bem um dos seus prediletos, o Paulino, preto bondoso e amigo.
Lembro também da Marcelina, filha da escrava Ana que foi a companheira fiel de mamãe desde que se casou.
Mamãe não tinha muito o que contar de sua infância pois não contava ainda 15 anos quando se casou.
Sei que papai era parente dos Nogueiras, donos de uma fazenda em Candelária e vinha com alguns rapazes passando pela fazenda dos meus avós, no Campinho, conheceu mamãe. Ficaram noivos e poucos meses depois casaram-se e foram morar na Fazenda dos Nogueiras, em Candelária. Pouco tempo depois foram residir no Campinho, perto dos meus avós.
Quase dois anos depois que se casaram, nasceu a pequena Maria José. A menina era a alegria de todos. Mas aos 4 anos contraiu uma moléstia na garganta. Vários médicos vieram de Itajubá, operaram-na mas ela não resistir e morreu.
Dois anos depois nasceu João. Parecia forte, mas aos 3 anos teve uma moléstia muito séria no coração tendo que fazer um longo tratamento.
Depois do João nasceu o Zéca. Foi uma criança forte e alegre.
Dois anos depois, nasceu Agenor. Não deu cuidados.
Sebastião foi o 5º filho. Sofreu desde que nasceu. Chorava muito e só viveu 6 meses.
Eu nasci 1 ano depois, em 1891.
Em 1893, em fevereiro, veio ao mundo outra Maria que teve o apelido de Cotinha. Menina robusta, bonita, de olhos muito pretos. Meus avós já haviam falecido.

Nossa vinda para a Povoação de São Caetano:
Meus pais resolveram vender as terras e a casa que tinham no Campinho e vieram para a povoação.
Foi alugada uma casa no Bairro da Aparecida, em frente à Capelinha antiga de N. S. Aparecida.
Logo que chegamos meus pais lutaram muito com doenças graves. Todos nós tivemos sarampo e houve complicações. Mamãe teve pneumonia e João ficou pior do mal que sofria. Nosso médico ficou desanimado, mas veio várias vezes de Itajubá para ver-nos e tudo fez para seus doentes e venceu. Lembro-me dos nomes de dois médicos: Dr. Malvio e Dr. Lisboa. Não havia vidraça nos quartos antigamente e diziam que com o sarampo era perigoso o vento, ele podia recolher. Alguns meses depois fomos de mudança para Conceição dos Ouros onde papai abriu uma pequena loja. Nossa casa ficava na rua principal do lugar e pertencia a um senhor chamado José Veríssimo, lembro-me bem.
Nessa casa nasceu meu irmão Joaquim que faleceu aos 6 meses.
Meus pais fizeram amizade com todos do lugar, principalmente vizinhos, que eram muitos.
Meus irmãos começaram logo a freqüentar a escola e também eu fui matriculada aos 6 anos incompletos.
Minha primeira professora foi D. Brasilina. Primeiro livro que li foi " 1º livro de Felisberto Carvalho".
Minha professora do segundo ano foi D. Mariquinha. O marido era professor também. Meu livro no segundo ano foi " 2º livro do “Barão de Macaubas".
Nesse ano já havíamos transferido residência para uma casa em frente à Escola, pois Papai já havia fechado a loja e não precisava mais da casa onde morávamos antes.
Papai teve de tratar de outros negócios e viajou.
Uma senhora bondosa, amiga de Mamãe, tomava conta do aluguel de uma grande casa de um parente, o Capitão Tito e insistiu que fôssemos morar lá, pois estava desocupada. Nesta casa nasceu o Quinzinho.
Como ficamos contentes quando entramos no casarão, relativamente rico. Haviam salas enormes, quatro quartos muito grandes. A cozinha possuía dois fogões, dois quartos para despensa. Na sala de visitas havia quadros bonitos e mesinha. Ligado à casa havia vários cômodos fechados, com portas independentes para a rua. Em frente à casa estendia-se um capinzal até um matagal.
Essa casa ficava na saída para a fazenda de um compadre e amigo de meus pais, Félix Martins. O quintal , muito grande, terminava à beira de um ribeirão.
Tínhamos uma casa vizinha apenas. Moravam Maria Senhorinha e filhos.


Lembranças mais vivas da época em que aí morávamos:
_O João tirando notas (talvez as primeiras que eu ouvia) no bombardine.
_Quinzinho com cólica, chorando muito nos braços de uma amiga de mamãe. Devia estar com dois ou três meses
_Meses depois, estávamos na sala de jantar, eu sentada na rede com Quinzinho e ele quis apanhar uma tesoura no chão, bem distante. Foi engatinhando rapidamente como se estivesse acostumado. A surpresa foi muito grande para todos nós.
_Lembro-me de umas brincadeiras do João com um amigo de Paraisópolis que estava em casa.
Costumava Mamãe rezar o terço conosco desde que papai estava de viajem.
Vivia preocupada, sem notícias, mas sempre com esperança que voltasse a qualquer hora.
Uma noite escura, chovendo torrencialmente, bateram à porta.
Mamãe saiu correndo certa de que só poderia ser papai àquela hora.
Era a vizinha que ali fora procurar um remédio para o filho.
Coitada, ficou até assustada quando nos viu chorando, mamãe principalmente.
Tio Randolfinho soube das dificuldades com que mamãe lutava, mandou-nos buscar para passar uma temporada em Pouso Alegre.
Foi uma grande alegria a chegada de Pedrinho, encarregado de nos levar.

Lembro-me da bondade com que fomos tratados por todos em Pouso Alegre.
Tia Biela, Tio Randolfinho, assim como o Pedrinho, foram boníssimos e jamais me esquecerei.
Não sei quanto tempo ficamos em Pouso Alegre, mas quando papai chegou ficamos sabendo como sofreu doente em uma cidade de São Paulo, sem recursos, quase em desespero quando um senhor muito bom e religioso ajudou-o, principalmente incutindo-lhe coragem e confiança em Deus. Deu-lhe um livro, Imitação de Cristo, que foi sempre guardado com muito carinho.
Poucos meses depois voltamos para nossa terra, lembrando-nos com gratidão do povo bom e amigo de conceição dos Ouros. Corria o ano de 1898 quando chegamos.
Depois de alguns dias passados em casa de meus tios Tonó e Candola, onde recebemos prova de grande amizade e carinho, fomos morar em uma casa ainda nova, pintada de azul e branco situada na rua da Aparecida. Fomos matriculadas, eu e minha irmãzinha Cotinha, na Escola de D. Eulália Schumann.
Minha irmã parecia forte, com pouco mais de 6 anos, ficou doente e logo faleceu.
Alguns meses depois passamos a residir na rua 15 de Novembro.
Passei a freqüentar a Escola de D .Mariquinha Saldanha, minha prima, em uma casa pequena no lugar em que se construiu o edifício do Fórum.
Pouco depois a professora passou a morar em uma casa onde mora a família da Iracema Negrão.
Nossa classe, assim como a do professor Diogenes foram para um casarão onde funcionou também o Grupo Escolar antes da construção do Prédio do Grupo Escolar Cel. Francisco Braz.
Todos nós estávamos muito contentes na nova residência. Ficava próxima à Matriz. Tínhamos vizinhos muito amigos e colegas de classe.
Os quintais de nossa casa e a do seu Alfredo Viana e Maria Luiza ficaram logo sem a cerca que os separava.
Como brincávamos então!
Quando havia luar reuníamos, Yaya, pouco menor que eu e as crianças vizinhas nas proximidades do coqueiro e brincávamos a valer.
Vivemos felizes algum tempo. Papai cuidava de vários serviços e tinha em casa uma pequena fabricação de cigarros. Algumas mocinhas trabalhavam aliEm fevereiro de 1900 nasceu meu irmão Alfredo. Papai começou, nessa ocasião a cuidar de plantações de arroz e fomos para uma casa bem inferior, mas pouco distante daquela em que morávamos.
Ali a luta de meus pais foi grande, não só quanto à falta de recursos como a falta de saúde, principalmente do Alfredo. Começou a sofrer da vista e de reumatismo. Um especialista de vista disse que ele ficaria cego mais tarde. Graças a Deus melhorou da vista e só ficou com o reumatismo até 4 anos.
Pouco tempo depois fomos morar em uma casa situada no alto de um morro, ao lado da estrada que vai para Luminosa. Nenhum vizinho. A casa tinha uma sala, dois quartinhos, um maior e a cozinha, que dava para um terreiro plano, separado de um grande pasto por um portãozinho. Era um morro cheio de enormes caneleiras e outras espécies de árvores e pássaros por toda a parte. Do portão saía um caminho que cortava o morro até o córrego que deslizava paralelo à estrada. Como era difícil carregar água dali até ao alto.
Meus pais e irmãos trabalhavam demais.
Eu fazia pouco serviço porque vivia carregando meu irmão Alfredo. Não podia andar, sentia dores, mas era gordo e já estava com mais de dois anos.
Depois nasceu Eugênio e morreu com três dias. Era uma crianças bonita, gorda. Foi em junho e o frio era intenso. Mamãe passou com ele nos braços uma noite e depois ela teve pneumonia. Quase morreu. Depois conseguiu se restabelecer e tivemos uma temporada mais feliz.
Papai e meus irmãos conseguiram bom resultado na colheita de arroz e ficaram mais animados.
Mamãe era admirável com a sua paciência, coragem de viver. Muito amorosa e sensível, lutando sempre para que não sofrêssemos muitas faltas. Tinha ainda ânimo e alegria para sair conosco em visitas aos amigos, à igreja, etc.
Gostava de diversões, circo e outras que apareciam.
Minha mãe cumpriu a sua missão de maneira admirável pois, além de sua paciência, resignação e coragem no trabalho, sabia ser alegre para nos fazer felizes.
No entanto, muitas vezes, eu a via chorar enquanto costurava à noite, à luz da lamparina!
Era sempre uma toada triste que me ficou sempre na lembrança!
Em l904 passamos a residir num casarão cor de Rosa na R. Antonio Pereira Rosa.
Para mim foi uma coisa extraordinária a mudança. Havia parentes e amigos na mesma rua e ficava perto da igreja.
Em l905 nasceu naquela casa minha irmã Lourdes. Eu cuidava dela, pois mamãe tinha sempre, muito trabalho. A luta era a mesma para meu pai e meus irmãos. Mesmo os dois menores, Alfredo e principalmente o Quinzinho já ajudavam vendendo doces que a mamãe fazia.
Havia na cozinha um grande forno e o Zéca contratou um padeiro para trabalhar. Não me lembro quanto tempo durou, mas não me esqueço de algumas rosquinhas que eram fabricadas.
O Zéca resolveu depois, ir para Pouso Alegre aprender a arte fotográfica. O João foi para o estado de São Paulo trabalhar em uma fazenda, mas voltou logo.
Para mim , uma das coisas boas acontecidas naquela época foi a chegada da Companhia Dramática de Santos Lima. O João era músico e por isso não tínhamos que pagar entrada e Mamãe estava sempre animada para ir, mesmo depois de um dia atarefado. Como eu gostava dos dramas e comédias que levavam! Era uma verdadeira felicidade estar ali...
Em 1907 passamos por um grande sofrimento. Minha irmã Lurdes, depois de muitos dias de sofrimento faleceu.
Em 1908 nasceu o meu irmão Antonio. O Zéca já havia se casado e trabalhava com fotografias. O Agenor trabalhava no comércio e o Papai no mercado.
O Quinzinho e mais alguns coroinhas tinham aulas particulares com o pai de D. Assis, vigário de nossa terra.
Um dia, apareceu em casa uma preta muito religiosa. Ela era zeladora do Apostolado. "Tia Venância" como era chamada, foi contar aos meus pais que D. Assis havia escolhido, entre os coroinhas, um menino muito piedoso, aplicado e bom, para estudar no Seminário de Pouso Alegre: Era o Quinzinho.
Entretanto, o seu desejo era mandar um menino mais pobre e nossa família parecia ter recursos, pois ele andava sempre bem vestido e calçado. Pediu-lhe opinião. Ela bem nos conhecia e pôde afirmar que éramos bem pobres. O Quinzinho também trabalhava para ajudar nas despesas de casa vendendo doces que a mamãe fazia. Era muito cuidadoso com as roupas e calçados, embora bem usados e modestos.
D. Assis falou com os meus a respeito de meu irmão e poucos meses depois ele foi para o Seminário.
Muita falta sentimos e ele, apesar de se sentir feliz por ter sido o escolhido, não ocultava a tristeza que sentia com a separação...Eu, meu irmão Zéca o acompanhamos até Pouso Alegre.
Lembro-me bem da sua alegria quando veio, pela primeira vez, para casa e abraçou a todos!
Era muito amoroso e dedicado à família. Muito calado, nunca se queixava, mas demonstrava a tristeza que sentia ao sair de casa...
Poucos meses depois, o Sr. João Gonçalves, muito amigo de Papai, ofereceu a sua casa na cidade, na rua Silvestre Ferraz para morarmos.
Quando nos mudamos para aquele sobrado eu estava com uns doze anos.
Lá, tive dias risonhos e bons que me ficaram sempre na lembrança.
Nossa vida na rua Silvestre Ferraz foi menos trabalhosa. Tivemos mais conforto e tranqüilidade. Papai trabalhava como fiscal no Mercado, o João tinha emprego e o Agenor também.
O Alfredo, depois de concluir o curso primário, foi trabalhar na estrada de ferro.
Papai arranjou uns pensionistas e assim a vida ia correndo mais ou menos tranqüila. Mamãe sempre trabalhava, costurava, mas tinha empregada. Antonio era pequeno e eu continuava a minha vida de babá, mas foi por pouco tempo, pois papai conseguiu do Cel Braz uma carta ao Diretor da Escola Normal de Silvestre Ferraz um lugar grátis.
Houve uma lei que favoreceu muito as alunas do curso normal: três anos apenas para quem tinha o primário.
Lutei bem durante os estudos, sentia dificuldades em matérias novas para mim, porém, a dedicação de Seu Plínio Mota, tia Nhazinha que me dava aulas de francês e de outros professoras deram-me coragem e cheguei ao fim.
Tive a felicidade de ficar em casa de parentes que foram boníssimos.
Voltando do Silvestre Ferraz comecei logo a trabalhar no Grupo substituindo professores. Só Deus sabe como lutei no começo!
Felizmente, depois de dois anos assim, tomei uma classe só de meninas de 2º ano. Havia sido nomeada adjunta interina. Daí por diante tinha a minha classe e dois anos depois passei a professora efetiva.
Papai, depois de uma moléstia que o levou para a cama, paralisado, estava bom. Mamãe costumava ir, de vez em quando à Pouso Alegre, ver o Quinzinho. Com que alegria preparava os doces para ele!
Sempre íamos ao cinema. Mamãe gostava muito dos filmes daquele tempo e da orquestra também.
Papai tinha emprego no mercado e viajava também a negócios.
Nossa casa era muito freqüentada pelos parentes e amigas da mamãe, pelas minhas amigas, e à hora das refeições os pensionistas que foram diversos: Zéca Pereira, Tomazinho, A Costa, Afonso brito, Sílvio, Carlos, Modesto, Vicente, Aristides Tescitore B. Rocha, Cândido, um médico da Estrada e muitos outros.
Tínhamos também bons vizinhos e amigos naquela rua.
Maria Rosa foi sempre amiga, principalmente, quando fiquei noiva era a companheira para o cinema , passeios, etc.
Tive tempos felizes também como nas outras casas em que moramos. Depois do nosso casamento ficamos com minha família por 4 meses.
Hoje, a casa está reformada, tudo está diferente, mas ao passar por aquela rua, vejo-a como era antigamente e custa-me conter as lágrimas de saudades de tantos entes queridos.

FOTOS : FANFARRAS 1970

Foto do arquivo de D. Nilda O. Reis



ORIGEM DA EXPRESSÃO : "Dor de cotovelo"

A expressão “dor-de-cotovelo”, muito usada para se referir a alguém que sofreu uma decepção amorosa tem sua origem na figura de uma pessoa sentada em um bar e com os cotovelos em cima do balcão, enquanto toma uma bebida e lamenta a má sorte no amor.

De tanto o apaixonado ficar com os cotovelos apoiados sobre balcão, os mesmo deveriam doer. Esta é a idéia por trás desta expressão.

MULHER MADURA

A MULHER MADURA tem um jeito todo especial de ser.
MULHER MADURA não é ventania, ela é ar em movimento. Ela possui uma beleza peculiar que não se iguala a nenhuma outra. Pena daqueles que não sabem percebê-las!!!
A MULHER MADURA não PEGA, ela TOCA.
A MULHER MADURA não come, ela se ALIMENTA.
A MULHER MADURA não provoca, ela já é PROVOCANTE.
A MULHER MADURA não é inteligente, ela é SÁBIA.
A MULHER MADURA não se insinua, ela mostra o CAMINHO sutilmente.
A MULHER MADURA não se precipita, ela espera o MOMENTO CERTO.
A MULHER MADURA não nada, ela NAVEGA.
A MULHER MADURA não voa, ela FLUTUA.
A MULHER MADURA não pensa em quantidade, ela prefere QUALIDADE.
A MULHER MADURA não vê, ela OBSERVA.
A MULHER MADURA não anda, ela CAMINHA.
A MULHER MADURA não deita, ela ADORMECE.
A MULHER MADURA não é pretensiosa, ela simplesmente se GOSTA.
A MULHER MADURA não julga, ela ANALISA.
A MULHER MADURA não compara, ela ASSIMILA.
A MULHER MADURA não consola, ela ACALENTA.
A MULHER MADURA não acorda, ela DESPERTA.
A MULHER MADURA não coloca algemas, ela os deixa LIVRE.
A MULHER MADURA não enfeitiça, ela ENCANTA.
A MULHER MADURA não é decidida, ela apenas sabe O QUE QUER.
A MULHER MADURA não é exigente, ela é SELETIVA.
A MULHER MADURA não se senti velha, ela se considera EXPERIENTE.
A MULHER MADURA não se lamenta, ela tenta fazer DIFERENTE.
A MULHER MADURA não tem medo, ela tem RECEIOS.
A MULHER MADURA não faz juras, ela deixa por conta do TEMPO.
A MULHER MADURA não tira conclusões, ela faz SUPOSIÇÕES.
A MULHER MADURA “não desce do salto”, ela tem “JOGO DE CINTURA”.
A MULHER MADURA não brilha, ela é ILUMINADA.
A MULHER MADURA não dá tchau, ela ACENA.
A MULHER MADURA não gosta de ser vigiada, ela prefere ser ESCOLTADA.
A MULHER MADURA não é moderna, ela é ELEGANTE.
A MULHER MADURA não quer ser cobiçada, ela prefere ser DESEJADA.
A MULHER MADURA não possui sombras, ela tem AURA.
A MULHER MADURA não adivinha, ela tem PERCEPÇÃO.
A MULHER MADURA não faz sexo, ela é mestre na ARTE DE AMAR.
A MULHER MADURA não fica, ela se ENVOLVE.
A MULHER MADURA não é fácil, ela é FLEXÍVEL.
A MULHER MADURA não manda, ela ADMINISTRA.
A MULHER MADURA não aflora, ela é um constante FLORESCER.
Enfim, a MULHER MADURA é um conjunto de todas as belezas possíveis.
MULHER sensível, mas ao mesmo tempo uma verdadeira guerreira, é forte, mas é
feminina, porém, muitos não possuem sensibilidade para perceber tal beleza, mas
aqueles que descobrem... preferem morrer nos braços dessa tal mulher, que não é
DOCE, mas que, simplesmente é puro MEL.


Autor deconhecido.

MACARRONADA EM PROL DO 9º TLC


LEVE SEU PAI E SUA FAMÍLIA PARA COMER UMA DELICIOSA MACARRONADA NA BARRACA DA FESTA DE SÃO CAETANO (PRAÇA DA MATRIZ)NO DIA 08 DE AGOSTO, DIA DOS PAIS, POR APENAS R$ 3,00, QUE SERÁ SERVIDA DAS 11 ÀS 13 HORAS.
TODO DINHEIRO ARRECADADO SERÁ EM PROL DO 9º TLC DE BRAZÓPOLIS. GARANTA SEU INGRESSO COM OS MEMBROS DO GRUPO DE JOVENS PHN.

3 ANOS SEM VOCÊ - SAUDADES ETERNAS



Há 3 anos você nos deixou... Sua vida foi breve, mas intensa.
Viveu no verdadeiro sentido da palavra viver.
Passou pela vida brevemente, mas soube vivê-la.
Teve fé, foi guerreira,mas sua luta foi em vão...
Viveu como quem não teria tempo.
Viveu como quem iria partir logo.
Falou de adeus... Declarou seu amor a todos que lhe eram caros e partiu....
Partiu levando com você um pedacinho de cada um que lhe amou e ainda ama...
Cuide de nós, até o dia em que possamos nos encontrar novamente para dizer-lhe o quanto a amamos e a falta que você nos faz!

A lenda do rito de passagem da juventude dos índios Cherokees


O pai leva o filho para a floresta durante o final da tarde, venda-lhe os olhos e
deixa-o sozinho.
O filho se senta sozinho no topo de um
montanha toda a noite e não pode remover a venda até os raios do sol
brilharem no dia seguinte.
Ele não pode gritar por socorro para
ninguém.
Se ele passar a noite toda lá, será
considerado um homem.
Ele não pode contar a experiência aos
outros meninos porque cada um deve tornar-se homem do seu próprio modo,
enfrentando o medo do desconhecido.
O menino está naturalmente amedrontado.
Ele pode ouvir toda espécie de barulho.
Os animais selvagens podem, naturalmente,
estar ao redor dele.

Talvez alguns humanos possam feri-lo.
Os insetos e cobras podem vir pica-lo.
Ele pode estar com frio, fome e sede.
O vento sopra a grama e a terra sacode os
tocos, mas ele se senta estoicamente, nunca removendo a venda.

Segundo os Cherokees, este é o único modo
dele se tornar um homem.

Finalmente...
Após a noite horrível, o sol aparece e a venda é removida.
Ele então descobre seu pai sentado na
montanha perto dele.
Ele estava a noite inteira protegendo seu
filho do perigo.

Nós também nunca estamos
sozinhos!
Mesmo quando não percebemos Deus está olhando para nós, 'sentado ao nosso
lado'.
Quando os problemas vêm, tudo que temos a fazer é confiar que ELE está nos
protegendo.

TURMA 4ª SÉRIE - GRUPINHO

Foto do arquivo de Fernanda Moraes

2 de agosto de 2010

POLÍCIA!!! OLHA O GOLPE!

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FOTO SAUDADE: BAR DO LUIZINHO VIZOTTO

É isso que dá não exigir diploma pra jornalista...


Jornal do Brasil
“A nova terapia traz esperanças a todos os que morrem de câncer a cada ano.”
(Onde? Na cova?)

O Globo
“Apesar da meteorologia estar em greve, o tempo esfriou ontem intensamente.”
(O frio não estava filiado ao sindicato grevista)

Extra
“Os sete artistas compõem um trio de talento.”
(Hã?)

O Dia
“A vítima foi estrangulada a golpes de facão.”
(uma nova modalidade de estrangulamento)

O Globo
“Os nossos leitores nos desculparão por esse erro indesculpável.”
( De modo algum!)

O Dia
“No corredor do hospital psiquiátrico os doentes corriam como loucos.”
(naturalmente…)

Jornal do Brasil
“Ela contraiu a doença na época que ainda estava viva.”
(Jura? Não…)

Extra
“Parece que ela foi morta pelo seu assassino.”
(Não diga!)

Extra
“O acidente foi no triste e célebre Retângulo das Bermudas.”
(Gente, até ontem era um triângulo! Vai ver que qualquer dia inventem o CÍRCULO DAS BERMUDAS!)

O Dia
“O velho reformado, antes de apertar o pescoço da mulher até a morte, se suicidou.”
(Seria a volta dos mortos-vivos?)

Extra
“A polícia e a justiça são as duas mãos de um mesmo braço.”
(Que aberração!)

Jornal do Brasil
“Depois de algum tempo, a água corrente foi instalada no cemitério, para a satisfação dos habitantes.”
(Água no além para purificar as almas…)

Jornal do Brasil
“O aumento do desemprego foi de 0% em novembro.”
(Onde vamos parar desse jeito?)

O Globo
“Quatro hectares de trigo foram queimados. A princípio, trata-se de um incêndio.”
(Ah, bom! achei que fosse um churrasco!)

O Dia
“Na chegada da polícia, o cadáver se encontrava rigorosamente imóvel.”
(Viu como ele é disciplinado?)

Extra
“O cadáver foi encontrado morto dentro do carro.”
(Sem Comentários !!!)

O Dia
“Prefeito de interior vai dormir bem, e acorda morto."
(acorda?)

PROCURA-SE MULHER PERFEITA.COM É M SUCESSO!!!





























O Clube Wenceslau Braz apresentou neste sábado, dia 31 de julho, a comédia “PROCURA-SE MULHER PERFEITA .COM”, com texto, direção e participação de Vitor Branco.
A trama da peça, há quase oito anos em cartaz, se inicia quando um recém-separado quarentão é convencido por um amigo mais jovem e moderninho, a procurar uma nova namorada em sites de relacionamentos e anúncios de jornais. A cada novo encontro, as pretendentes vão revelando traços curiosos de suas personalidades.
Entram em cena vários estereótipos femininos, como a mulher “certinha”, a louca, a interesseira, uma religiosa e todas expõem, logo no primeiro encontro, seus defeitos e qualidades.
Vitor se baseou em um período de separação conjugal, há mais de dez anos, quando teve a idéia de navegar pela internet a fim de conhecer novas pessoas e encontrar mulheres para se relacionar.
A peça, muito descontraída e engraçada fez o púbico “chorar de rir”, com os improvisos e interatividade com a platéia, usando nomes de localidades, o comércio e pessoas conhecidas de Brazópolis.
Adriano e sua noiva Jussara foram alvos de muitas brincadeiras, o que é uma “marca registrada” das peças de Vítor, que sempre pega alguém da platéia para suas piadas durante a apresentação.
Vitor Branco é autor de várias peças teatrais, dentre elas “Um espírito baixou em mim” que já foi apresentado aqui em Brazópolis.
Como ator ele fez parte do elenco da novela “Próxima Vítima”, “Os Maias” e“Uga Uga”. Hoje ele apresenta um mafioso no programa “A Praça é Nossa” no SBT.
Além de Vitor Branco, o elenco também traz Priscila Barão (A Padroeira), Wither Dalu´s (Show do Tom) e Wanderlei Grillo (ex-Malhação).
Brazópolis, mais uma vez, mostrou que valoriza a arte lotando as dependências do Clube.
Parabéns à Irene Serpa, presidente em exercício, pelo incentivo e disponibilidade de resgatar ao nosso "Wenceslau" seu principal objetivo que é dar cultura, lazer e diversão aos Brazopolenses.

1 de agosto de 2010

DITA BROTO – Renato Lôbo

-Ô Don'Maria, ô Don'Maria, ô Don'Maria...

Era a Dita chegando e chamando minha mãe num codinome que só ela conhecia: Don'Maria. Claro está que minha mãe não se chamava Maria, mas, fique claro também que, com certeza, era o máximo que ela conseguia expressar.

A Dita era morenona, altona, compridona, espivitadona, conversadeira, cheia de causos e de causas.
-Causa di quê se deu isso, Don'Maria? - perguntava sempre.

Imagine se a Dita era capaz de chegar em casa sem qualquer coisa na mão: uma muda de pranta, um pesinho de fror, um gainho de arruda (pra sorte!), uns bolinho de chuva, metadim de um quêijo, um pedaço di bolo, uma lasquinha de árvri (pra remédio!), um dedim de prosa. Dita nunca chegava... só ela. Era sempre um tanto a mais que ela. Já não bastasse tudo o que era, dela vinha sempre algo mais. Dita era sempre mais, que ela só.

Belo dia, foi a Aparecida do Norte na Romaria do Padre. Bela lembrança! Monsenhor organi-zava romarias memoráveis toda última segunda-feira do mês de agosto, de todo ano, cho-vesse ou fizesse sol. (Um dia, ainda conto a chegada de uma delas.) Dita, que não perdia nem enterro de anjinho, foi lá.

Dias depois – claro – chegou com lembrancinha para minha mãe.

-Óia que beleza, Don'Maria! Trouxe pra senhora.
-Ah! Não precisava, Dita – mas foi logo abrindo.

E Dita, que não perdia nenhum detalhe, não anunciava espera nem esperava pedir, destampou a contar, timtimportimtim, cada coisa que havia feito na “Capela”.
-Andei nas lojinha toda, subi e desci os morro tudo, andei de bonde, comi algodão doce, fui na casa do padre Vitu e até vi ele atravessando a praça. Corri lá, falei com ele, deu uma bênção especial pra mim. Óia, Don'Maria, ganhei até medalhinha! - e mostrou.

Minha mãe já ia achando tudo de uma beleza sem atitude, quando uma dúvida riscou o céu de sua alma como um raio anuncia a trovoada. Tratava-se da salvação daquela pobre alma!

-Dita, você foi na igreja? Beijou a Santa?
Rápido feito corisco, ela respondeu:
-Não deu tempo, Don'Maria, Faltou só isso!
-Uai! Mas o que você foi fazer lá, então, mulher?
-Fui cumprir promessa, Don'Maria.
-Mas que promessa é essa, Dita?
E Dita dispensou a explicação requerida com a mesma rapidez com que compunha os fatos.
-Ir feito morta e voltar feito morta.

Cá entre nós, cabe dentro de alguém imaginar que a promessa fosse essa?
Não deixemos dúvida, porque a dúvida é a mãe do vício. E Dita tratou de não deixar. Jogou-se na primeira poltrona, estrebuchou feito morta, fechou os olhos, entortou a boca e ficou lá. Daquele jeito. Feito morta!
Essa não é para entender. É pra decorar.

E minha mãe até perguntou:
-Dita, quem enfiou isso na sua cabeça?
-A Zezé tictac – respondeu.
-Ah! Então ta explicado! - concluiu minha mãe.
Se a Zezé tictac tinha falado, quem haveria nesse mundo de contestar?

-Óia, Don'Maria. Ela também fez a promessa. Mas não agüentou cumprir na ida. Só na volta.
-Só na volta, Dita?
-É! Ela bebeu uns gole, amontoou no banco e roncou até babar. Feito morta!

E Dita completou, com toda piedade do mundo:
-Mas acho que a promessa dela não valeu, né, Don'Maria?
-Sei não, Dita! Sei não – respondeu minha mãe.
-Vixi! Então agora só no ano que vem! Mas não será tempo demais pra esperar, Don'Mari-a?!
-Sei não, Dita! Sei não.


Renato Lôbo é psicanalista em São José dos Campos