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12 de setembro de 2010

ROUBARAM O MEU CARRO - Fátima Noronha

Chegando antes do desfile dos blocos era fácil achar lugar para estacionar o carro, mas mesmo assim ele gostava de deixar o carro duas ruas abaixo da praça para que o carro não corresse nenhum risco e também para ficar mais fácil sair depois .
E em todas as noites de carnaval ele seguiu essa rotina: Deixava o carro paradinho ali na Rua Silvestre Ferraz e subia para a praça. Aproveitava bem a noite com os amigos, mas sempre tomando cuidado de não beber nada alcoólico para não ter problemas para dirigir o carro depois... Mas na última noite foi diferente:
Depois de curtir bem última noite de carnaval, lá vai ele, contente, pegar o seu carro...
Chegando lá não quis acreditar no que via, aliás no que não via:
_ Cadê meu carro??? Minha nossa... Roubaram o meu carro!!!
Apavorado, volta correndo para a praça e com o coração quase saindo pela boca explica para o policial:
_ Eu deixei lá na Silvestre Ferraz... toda noite estou deixando lá... mas agora ele sumiu... Ai meu Deus!!! Roubaram o meu carro!!!
_ Calma! _ pediu o policial _ vamos até lá e você me mostra onde o tinha deixado.
Muito nervoso, ele vai explicando:
_ Estou deixando lá todas as noites... é perto da casa do meu tio... esse carro me custou um dinheirão... ainda nem terminei de pagar... o pior é que não tenho seguro...
Chegando lá, ele mostra ao policial onde havia deixado o carro. E realmente o carro dele não estava lá.
O policial chama o quartel pelo radio e explica que um carro teria sido roubado na rua Silvestre Ferraz...
_ Que carro é? Perguntou?
_ Um gol... ai meu Deus!!! Roubaram o meu carro...
_ Vamos subir, não adianta ficarmos aqui parados... você está muito nervoso...
E os dois sobem pela rua enquanto o policial dá as coordenadas para os colegas pelo rádio... Modelo do carro... cor... ano... nº da placa, etc...
E quando os dois já chegavam no final da rua o rapaz pára um pouco pra tomar fôlego. O policial, com pena, tenta acalmá-lo:
_ Não fique assim... esse nervosismo vai lhe fazer mal... encoste aqui... descansa... respira fundo...
E foi quando o rapaz encostou num carro estacionado que ele viu o carro dele ali bonitinho, paradinho bem na sua frente... e tudo voltou na sua cabeça... esse dia ele tinha atrasado e não encontrou o local de sempre vago... então estacionou logo adiante...
Então mais nervoso ainda e sem saber como se sair dessa, falou para o policial:
_ Meu carro é igualzinho aquele ali... mas é tão igualzinho, tão igualzinho que até a placa é a mesma.
O policial examinou bem o carro e com cara de quem não gostou nada daquela história, pediu:
_ Por favor, me dê as chaves do seu carro e a sua carta de habilitação... amanhã, depois que você se curar desse porre eu lhe devolvo. E da próxima vez vê se bebe menos...
E ele ainda tentou explicar:
_ Mas seu guarda, eu nem bebi... Eu não bebo quando vou dirigir...
O policial não quis ouvir mais nada e foi embora resmungando... e ele , com cara de bobo, ainda gritou:
_ Seu guarda, por um acaso o senhor conhece a família Noronha?


Crônica do livro "Noronhando..."

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